Resto eu, a piquena patusca astuta, simpática, girérrima, imodesta mas muito realista Mor, só e abandonada, à espera das outras bolhas…
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Para embalar VII
Uma das mais conhecidas músicas em Mandarim... Bons sonhos!
ni wen wo ai ni you duo shen
wo ai ni you ji fen
wo de qing ye zhen
wo de ai ye zhen
yue liang dai biao wo de xin
ni wen wo ai ni you duo shen
wo ai ni you ji fen
wo de qing bu yi
wo de ai bu bian
yue liang dai biao wo de xin
* qing qing de yi ge wen
yi jin da dong wo de xin
shen shen de yi duan qing
jiao wo si nian dao ru jin
* ni wen wo ai ni you duo shen
wo ai ni you ji fen
* ** ni qu xiang yi xiang
ni qu kan yi kan
yue liang dai biao wo de xin
Repetir *
Amigo
"Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa! "
Alexandre O'Neill, in "No Reino da Dinamarca"
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Jumpsuit, vulgo Macacão
Se ainda não tem vá a correr comprar...
Super In para a noite e para o dia, com saltos ou sandálias rasas. Pessoalmente prefiro com saltos e para a noite, estando na lista de eleição os da DKNY.
Boas compras!
Adeus barbearia Kak Lan
Primeiro foi a loja de bolachas na esquina da Rua da Palha, seguiu-se a papelaria, depois a saudosa e tradicional barbearia Xangai (onde as mulheres da minha família de outras gerações fizeram as unhas), mais recentemente o restaurante Long Kei e a vaquinha, na semana que passou a barbearia Kak Lan...
Todos os dias fecham lojas que estiveram a atender ao público longas décadas. Os tin tins abandonados à sua sorte com menos mobília e antiguidades fazem dó!
O Centro de Macau da minha infância que eu tanto gostava e conhecia está a desaparecer, dando lugar a horrorosas lojas de biscoitos e carne seca, fast food e Sasa’s.
É o progresso, a lei da oferta e procura, oiço por aí, os preços das rendas que não param de subir! As fachadas, totalmente descaracterizadas, deixam antever um centro amorfo, com lojas todas iguais, onde não existem clientes habituais não nos tratam pelo nome, não sabem quem nós somos.
É pena não seguirmos o exemplo de Hoi An (no Vietname), também património da Unesco, onde apesar de viverem do turismo, o comércio tradicional se mantém e até serve de chamariz. É ver as fachadas todas diferentes, bem recuperadas, sorridentes clientes locais, galerias em várias esquinas, ferragens, mercearias, barbeiros, restaurantes cuidados, hospedarias.
Quando os turistas deixarem de se interessar por biscoitos e afins vamos ter um feio centro desértico pois, as gentes de Macau, por ali não encontrarem nada do que precisam, só multidão, desacostumaram-se a passear-se pela “baixa”...
Muita pena.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Súplica - Miguel Torga
Na RTPi passaram há já uns tempos um programa sobre Miguel Torga. À semelhança de muita gente, li os Bichos no liceu. Lembro-me que me impressionou o conto sobre o burro. Não me lembro de ter lido outras coisas do Miguel Torga. Entretanto fiz uma pesquisa (os tempos actuais trazem vantagens) e descobri alguns escritos lindos de Torga.
Deixo-vos com aquele que mais gostei. Até amanhã.
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Depois de me ter tornado Mãe, não consigo ler notícias sobre ocorrências negativas que se relacionem com crianças (maus tratos, deficiências, fatalidades, doenças) sem engolir em seco, sentir um nó na garganta e uma lágrima pronta a saltar...
Todas as crianças deviam ser felizes, saudáveis e imortais.
Até breve!
sábado, 7 de maio de 2011
Pavorosa tatuagem
Alguns dias de praia fizeram-me voltar a ter uma certa inspiração bolha...
As tatuagens abundam nos destinos de praia e não consigo entender o fascínio que certas pessoas têm de pintalgar os corpos com imagens que ainda por cima são perpetuamente medonhas. Quando era pequena, só os marinheiros e ex combatente procuravam eternizar nos seus corpos, importantes datas ou momentos. Popeye the sailor man! Actualmente as pessoas tatuam-se por alegadamente razões artísticas e estéticas, sofroooo!!!
No toldo do lado estava um Bratva de meia idade com 5 temerosas estrelas, do tamanho das palmas das mãos, tatuadas num braço lívido, gordo e flácido... Estão a imaginar esse russo quando tiver 120 anos com 5 estrelas cadentes no braço?!
Também não gosto de ver pessoas a beber directamente do gargalo da garrafa, então se forem mulheres ainda me parece pior... Ar de rancho!
E vestir-se para jantar calçado de xanatas? Quelle horreur... Chinelito só mesmo para a praia, piscina e SPA.
Por hoje é tudo, um fim-de-semana cheio de sol!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Khao Lak
Praias espectaculares, desertas, construção quase nula, sem confusão, verdadeiro destino tropical.
Dias lindos com alguma chuva, muito mergulhos e gargalhadas!
Fora do hotel poucas alternativas para jantar e fazer compras. Longe da agitação, alugamos um carro e rumamos a Phuket para fazermos algumas compras!
Também reservamos um dia para passear pelas praias da península. Todas fantásticas com alguns resorts para todos os gostos e bolsos.
Tentamos almoçar no sarojin mas como a nossa filha não tem 12 anos não o pudemos fazer. Fica para outra vez! Deve ser um bom hotel para namorar.
Até breve.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
8
A minha bijou faz 8 meses, sem querer cair no ridículo, torna-se praticamente impossível exprimir por palavras o que sinto cada vez que se ri para mim, oiço uma gargalhada, chego a casa.
É um amor tão estranho, infinito, embora não seja calculável parece aumentar de dia para dia...
Votos de um dia, uma vida muito feliz!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Feliz dia da Mãe
"Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
terça-feira, 26 de abril de 2011
Porque estamos em Abril e hoje é o meu dia...
Brinca a manhã feliz e descuidada,
como só a manhã pode brincar,
nas curvas longas desta estrada
onde os ciganos passsam a cantar.
Abril anda à solta nos pinhais
coroado de rosas e de cio,
e num salto brusco, sem deixar sinais,
rasga o céu azul num assobio.
Surge uma criança de olhos vegetais,
carregados de espanto e de alegria,
e atira pedras às curvas mais distantes
- onde a voz dos ciganos se perdia.
Eugénio de Andrade
como só a manhã pode brincar,
nas curvas longas desta estrada
onde os ciganos passsam a cantar.
Abril anda à solta nos pinhais
coroado de rosas e de cio,
e num salto brusco, sem deixar sinais,
rasga o céu azul num assobio.
Surge uma criança de olhos vegetais,
carregados de espanto e de alegria,
e atira pedras às curvas mais distantes
- onde a voz dos ciganos se perdia.
Eugénio de Andrade
domingo, 24 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Para embalar VI
Para a minha filha ouvir durante o pôr-do-sol, com vista sobre macau, na companhia dos avós...
Nova mulher
Sou uma mulher nova desde que comecei o pilates... Mais leve, mais magra, já fui comprar roupa nova (porque isto de ter estado à espera de bebé no ano passado fez com que o meu armário esteja totalmente demodé), maquilhagem (primaveril da clinique), cortei o cabelo curto e sinto-me melhor.
Ainda me falta avançar para a compra de sapatos (estão caríssimos, diga-se) mas fiz uma limpeza geral no guarda fatos.
Estar quase de férias com os meus amores também contribuíu para esta boa disposição.
Até breve!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Profissão: Mãe
Ser-se trabalhadora e mãe não é tarefa fácil...
Quem tem de trabalhar para o sustento dá o “litro” durante as horas de expediente, sai a correr, faz as compras do supermercado, corre para casa ou para a creche para se dedicar em exclusivo ao papel de mãe.
Felizmente não tenho que tratar da lida da casa e saio a horas decentes mas há muitas que não têm a minha sorte.
É como se tivéssemos diariamente 3 empregos: trabalhadora, motorista/chefe de compras/gerente/faxineira/cozinheira e mãe... O último emprego exige uma dedicação a 100%, ocupando permanentemente um compartimento do nosso cérebro.
Não obstante vivermos numa época que se diz de igualdade, falta-nos o quase... Digam o que disserem as mulheres em geral dedicam-se mais aos filhos do que os homens, a minha casa não é excepção.
Resultado, como muitas mulheres mães, ando com os bofes de fora e a precisar urgentemente de férias... Para a semana já lá estou!
Até já...
terça-feira, 12 de abril de 2011

Nas alturas difíceis por que passamos (foram algumas) estivemos sempre juntos, o meu querido a dar-me alento, a puxar-me para a tona, a secar-me as lágrimas, com uma força surpreendente, muito amor e amizade. Passados alguns anos de nos termos encontrado o meu coração continua a palpitar quando o vejo. Como dizia Jobim “Quero a vida sempre assim com você perto de mim, até o apagar da velha chama”...
Mereces todos os momentos especiais!
Parabéns meu amor!
É a primeira vez que o meu querido marido, namorado, amante, amigo, bolhão, mais que tudo, comemora os anos com o estatuto de Pai, da nossa Lou Fu.
Espero que tenha um dia fantástico, recheadinho de surpresas e de óptimos momentos. Merece todos os momentos especiais do mundo.
Despeço-me com um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que serve que nem uma luva ao meu querido marido.
Vou agora festejar os 38! Até qualquer dia.
"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Garota de Ipanema, Kreisler ou Kiri te Kanawa como músicas de fundo, manhãs de sol, mercado de Campo de Ourique, cromos e bonecos de lata, barcos do campo pequeno, ganchos tortos, livros, línguas da sogra, cinema matinal, aquário, museus, pequenos-almoços em chinês no carrocel, muitos ducheses e guardanapos, explicações de matemática uiiii, honestidade, sinceridade, ponderação, mais tarde annie hall, brunch, manhãs de risada e pijama a beber cafés, Macau, conversas Pai-filha, vela, livrarias, um quarto com vista sobre a cidade, viagens e explicações históricas, ontem e hoje passeios ao colo no corredor!
Parabéns meu querido Pai! Votos de um dia muito feliz da sua filha que o adora.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Dites-moi
"Dites-moi
Pourquoi
La vie est belle,
Dies-moi
Pourquoi
La vie est gai,
Dites-moi
Pourquoi,
Chere Mad'moiselle,
Est-ce que
Parce que
Vous m'aimez?
Dites-moi
Pourquoi,
Chere Mad'moiselle,
Est-ce que
Parce que
Vous m'aimez?"
South Pacific
Tem 7 meses, muitos sorrisos e gargalhadas, senta-se mas ainda não consegue gatinhar.
Ah e gosta de ouvir falar francês, bebé bolha!
Pourquoi
La vie est belle,
Dies-moi
Pourquoi
La vie est gai,
Dites-moi
Pourquoi,
Chere Mad'moiselle,
Est-ce que
Parce que
Vous m'aimez?
Dites-moi
Pourquoi,
Chere Mad'moiselle,
Est-ce que
Parce que
Vous m'aimez?"
South Pacific
Tem 7 meses, muitos sorrisos e gargalhadas, senta-se mas ainda não consegue gatinhar.
Ah e gosta de ouvir falar francês, bebé bolha!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Para embalar IV
Isto é tudo para evitar que a Lou Fu se torne numa miúda pirosa...
Com sorte, quando for adolescente a Ana Montana já passou à história!
Até qualquer dia.
terça-feira, 29 de março de 2011
(Marahaja's Elephant is the Last One Left in the Palace Stables, by James Burke)
Ai quem me dera ter nascido milionária, qui ça no tempo da Maria Cachucha, não ter de trabalhar para pagar contas ao fim do mês, ser plena e genuinamente dondoca...
Um dia-a-dia exaustivo, de compras, praia, spa, chás, tagarelice, passeios e pilates, acompanhada pela minha querida filha e pelos de quem mais gosto.
Era bom, era!
quinta-feira, 24 de março de 2011
Sobre a queda de mais um governo
Lamento profundamente que em Portugal já não haja políticos como os de antigamente.
Ministros que abandonam debates parlamentares a meio? Falta de sentido da responsabilidade, de Estado... Faltam Mário Soares, F. Sousas Tavares, Lucas Pires e Sá Carneiros...
O país está de tanga e só há políticos com a qualidade da república das bananas.
Retorno ao chocolate
Estive 15 meses sem tocar em chocolate. Hoje comi um bon bon. Delicioso, já nem me lembrava.
Quem sabe se amanhã bebo uma cerveja e como uns tremoços... Tem é que ser devagar, com tanta loucura ainda tenho uma indigestão.
Até logo!
Para embalar III
Isto é para a minha filha educar o ouvido.
O teledisco é para esquecer... Em termos de gosto e moda, os anos 80 foram de fugir, "pior do que cuspir no consomé"... Pelo contrário, a musica foi do melhor!
Até breve!
quarta-feira, 23 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Urgentemente
Para assinalar o dia de ontem (dia mundial da poesia) deixo-vos um poema líndissimo...
"É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
"É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 21 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Falta-lhes Orange Pekoe

São tão irritantes as pessoas que dão conselhos que lhes não são pedidos, respondem quando ninguém lhes perguntou nada, opinam sem solicitação...
Dá logo vontade de responder “meta-se na sua vida abelhudo(a)”, os conselhos só podem ser dados quando pedidos, dizem as crianças que “a conversa ainda não chegou a retrete”.
É tudo uma questão de chá, ou falta dele...
Até breve!
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
'Alguma Poesia'
Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda a noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 12 de março de 2011
Tsunami no Japão
The Great Wave off Kanagawa, Katsushika Hokusai (1760-1849).
Se tivesse acontecido noutro país asiático as consequências seriam muito mais desvastadoras.
O meu pensamento está com os japoneses.
Horror e medo, muito medo...
quarta-feira, 9 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Feliz dia
Para nós que somos filhas, mães, irmãs, tias, primas, avós, trabalhadoras, profissionais, reformadas, executivas, em suma mulheres!!!
Numa era em que ainda não existe total igualdade, merecemos um dia internacional.
Até breve!
sábado, 5 de março de 2011
A minha filha tem hoje 6 meses
The Three Ages of Woman (1905)
e eu (e)ternamente encantada.
Como gosto desta pintura de Klimt.
"O melhor do mundo são as crianças" dizia Pessoa.
Deixo-vos com o lindíssimo "Pequeno Poema" de Sebastião da Gama que tão bem expressa o que sinto e senti como mãe.
Até breve!
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
quinta-feira, 3 de março de 2011
CH primaveril!
Gosto de flores e do cheiro a Primavera.
Supimpa, a nova colecção da Carolina Herrera.
Muita cor e padrões floridos, a chamar a alegria!
Digam lá se não tenho razão?!
Aqui fica a cereja em cima do bolo. Tomara eu ter um baile para usar este vestido... Dispensava o folhareco mas o resto é mesmo bonito!

Ao ver a querida Mãe uma amorosa e dedicada Avó, dá-me umas tremendas saudades da minha Avó que, se estivesse connosco faria hoje 98 anos.
Gargalhadas, gavetões com tesouros, limpeza de vitrines, "come a papa", conversas em francês, piano, pratas, azeitonas, eléctrico, bolos que não crescem, camélias e figos, borlas de pó de arroz, casamentos de bonecas, histórias de travessuras, bailes e princesas, chiqueletes, vinho baptizado, beijos sonoros e muita camaradagem, é assim que recordo a minha querida avó. Doces memórias.
Até breve!
quarta-feira, 2 de março de 2011
Mal enjorcados
Uma das minhas expressões preferidas, cuja sonoridade espelha bem o seu significado, é “mal enjorcado” que, significa entrajar mal ou à pressa; vestir, atabalhoadamente.
Uiiiii, mal enjorcados é o que não falta por aí... Nascem do chão como cogumelos. Porque uma coisa é uma piquena ou um piqueno vestir-se de forma blasé, outra completamente diferente é despenteado, usar roupa pingona, cheia de nódoas, mal passada, sem a preocupação mínima em olhar para o espelho, de manhã, para se certificar se se está bem...
Lembrando-me do slogan de uma marca de leite, “se eu não gostar de mim, quem gostará?”
Obrigada Rititi
Já ganhei o dia: A Penélope não é um trombolho
"As que somos mães, as que lutámos (e continuamos a lutar) contra um corpo que não nos pertence, as que levamos todas as manhãs uma chapada da puta da bóia abdominal, as que nos enfrentamos a umas mamas balofas e tristes que tantas alegrias já nos deram no passado, sabemos do sacrifício mental que supõe sentir-se sexy, desejável, bonita quando o espelho, o armário, as ancas e as calças de ganga nos dizem o contrário. Por isso, Penélope, olé tus ovários, chica, e que viva o grelame pós-parto mesmo que o vestido seja um horror e não te favoreça para nada!"
"As que somos mães, as que lutámos (e continuamos a lutar) contra um corpo que não nos pertence, as que levamos todas as manhãs uma chapada da puta da bóia abdominal, as que nos enfrentamos a umas mamas balofas e tristes que tantas alegrias já nos deram no passado, sabemos do sacrifício mental que supõe sentir-se sexy, desejável, bonita quando o espelho, o armário, as ancas e as calças de ganga nos dizem o contrário. Por isso, Penélope, olé tus ovários, chica, e que viva o grelame pós-parto mesmo que o vestido seja um horror e não te favoreça para nada!"
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Cascais da minha meninice
Este vídeo promocional trouxe-me doces recordações. Os verões da minha meninice e adolescência foram todos passados em Cascais (bem vos digo que sou uma bolha genuína).
Férias sem fim, passeios de bicicleta, cheiro a mar, guincho, paredão, as primeiras saídas, o deck, o bauhaus e o louvre, amigos para a vida, praia de manhã à noite, mergulhos, creme de cenoura, bolas de Berlim, jogging, piqueniques, Biscaia, Banzão, cinema e santini... Espero dar aos meus filhos uma infância tão despreocupada e feliz como a que os meus Pais me deram. A Mãe bolha era de facto imparável a ocupar-nos os dias, uma companheirona!
E por falar em amizades que perduram, hoje apetecia-me fechar os olhos e estar ao lado de uma das minhas grandes amigas de sempre, a minha querida D. Uns minutos ao seu lado, mesmo em silêncio, só para lhe fazer companhia neste terrível momento. Minha querida, estou a pensar em ti. Logo ligo-te para fingirmos que não há qualquer distância a separar-nos, estamos lado a lado.
Para os outros, até breve!
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Hoje acordei piegas.
O dia está cinzento, frio, pesado, a cheirar tristeza.
Não que tenha motivos para estar piegas, não tenho. Há dias em que acordamos assim.
Depois ouvi a voz do meu pai, falei com o meu irmão, demos tantas gargalhadas que a pieguice se escapuliu.
Sexta-feira, finalmente, descansem, durmam, gozem!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Final feliz
Lembram-se do nosso Hachi? O cão vadio mais patusco e simpático do Oriente, alimentado dedicada e diariamente pelo Bolhão com comida feita pela je?
Há cerca de 6 meses conhecemos um senhor que também lhe dava comida, explicou-nos que o queria adoptar. O Bolhão também já tinha pensado longamente nesse assunto mas como estávamos à espera de bebé era impossível termos a veleidade de adoptarmos um cão vadio nessa fase do campeonato. Com pena mas não podia ser...
Quando voltamos das nossas férias do Natal o Hachi tinha desaparecido. O Bolhão ficou muito triste. Anteontem estava a voltar para casa quando vejo o nosso Hachi lavado e penteadinho, de trela, todo pimpão a passear pela zona onde no passado tinha vivido. Reconheceu-me, saltitante, pareceu-me feliz.
Gosta de estar sentado no sofá a ver televisão, diz o novo dono! Este fim-de-semana vamos visita-lo.
Até breve!
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
S. Valentim especial!
A partir de hoje este dia tem um sabor diferente para a minha família... Nasceu a minha primeira sobrinha de sangue!
Penso que a querida I. não vai jantar muitas vezes fora com admiradores/ namorados ;-))) no dia de S. Valentim.
Muitas felicidades para a I. e pais, um beijo muito especial para o meu irmão.
Estou babada, é linda!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Coelho, primeiras impressões
Fui aos casinos, gostei!
Experimentei um restaurante, o Copa, está aprovadíssimo.
Almocei no Porto Fino "pasta, pizza e basta" e adorei a esplanda... Ideal para os dias de sol de Inverno.
Saí à noite (que maluca).
Fui ao Playboy Club. Está exactamente igual ao bar "the view" (o antigo) com umas coelhas aos saltos. Podiam ter aproveitado e mudado a decoração que continua a fazer lembrar uma bar do "faroeste" americano.
E por falar em esplanadas com sol de Inverno, as saudades que tenho de uma imperial...
Até breve!
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Fidalgos, queques e bétinhos - Miguel Esteves Cardoso
E para inaugurar o ano do coelho, nada melhor do que um texto do fabuloso MEC (onde andará?).
Bom fim-de-semana! Por aqui ainda largamos panchões.
"Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e ovisconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga..."
“Os meus Problemas”, Miguel Esteves Cardoso
"Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e ovisconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga..."
“Os meus Problemas”, Miguel Esteves Cardoso
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
E porque estamos quase num novo ano lunar
Kung Hei Fat Choi!!!
Que o ano do coelho só traga felicidade e que seja tão bom ou melhor como o ano do tigre (pelo menos para a minha família)!
Saúde, amor e dinheiro!
Que o ano do coelho só traga felicidade e que seja tão bom ou melhor como o ano do tigre (pelo menos para a minha família)!
Saúde, amor e dinheiro!
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
momento perfeito
Se pudesse guardar para sempre no meu coração a recordação do momento perfeito, nós, um fim de tarde, música clássica, uma janela com vista para o Rio das Pérolas, a M. ao colo encostada a mim.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Parabéns Mãe
No dia-a-dia da minha Mãe assentam que nem uma luva estes 10 mandamentos. Podem imaginar a querida que é.
Parabéns querida Mãe, muitas felicidades, muitos anos de vida!!! Sempre com um sorriso contagiante e boa disposição.
Beijinhos, sua Mor
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
De volta à vida "normal"
A vida a 300km/h, centrada no ser mais maravilhoso deste mundo, sem tempo para me coçar nas horas em que não estou a trabalhar (pois voltei à labuta com grande “dor”, tem que ser pois infelizmente não nasci rica nem sou nova milionária, há que trabalhar para comer), com alguns momentos meramente contemplativos a ver a minha filha respirar, afinal está a crescer...
Sempre é verdade, o amor transborda sem limites, o coração de mãe palpita de felicidade ao ver e ouvir uma gargalhada, é doloroso sentir a petiz triste, custa horrores sair de casa e olhar para trás.
Os dias passam a uma velocidade tremenda, num ápice se passaram 4 meses de vida de “dondoca”a duas, recheados de bons momentos, muitos passeios, gargalhadas sonoras... Querida filha, quando cresceres vais perceber que os bons tempos voam!
A vida muda radicalmente, um banho demorado tornou-se um luxo, uma ida à manicure uma extravagância, ao chegar a casa a felicidade é tão grande como nunca poderia ter imaginado poder vir a sentir.
Com este escrito exacerbado espero encerrar o capítulo “mãe galinha, babada, feliz e chata”... O meu eu está adormecido mas não morreu.
Boa sexta-feira!
Boa sexta-feira!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Transportes + bebés
A minha filha com três meses já utilizou os seguintes transportes: carro, jet foil, avião (longo curso) e comboio.
Em todos (até ver) se portou bem. Deixo aqui uma mensagem para os agoirentos: Salvo raras excepções os bebés de colo portam-se quase sempre bem... Quanto mais pequeninos melhor corre a viagem! O que importa é que se sintam confortáveis e não maçados, afinal ninguém gosta de estar deitado horas a fio.
O bebé que ía ao nosso lado (com 7 meses) também se portou lindamente. Nos momentos em que estava mais activo a Mãe brincou com ele.
Os aviões deviam ter mais fraldários e os dos comboios portugueses deviam estar mais limpos.
Feliz 2011!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Adoro...
Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender
1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.
Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Balancete trimestral
Com a licença de maternidade prestes a terminar cumpre fazer um balanço...
Com um bebé em casa não se consegue ter tempo livre.
Quase todos os dias saímos à rua para apanhar ar.
Adoramos passear nos jardins.
A roupa de bebé nunca é q.b., estão sempre a sujar-se e a crescer.
Já se ri, dá gargalhadas, olha para mim com uma devoção comovente.
É mesmo verdade o que se diz, o meu amor cresce de dia para dia e é ilimitado.
Fomos a Hong Kong, gosta de viajar e de andar no regabofe.
Detesto separações e custa-me muito sair de casa quando tenho que a deixar, parte-se me o coração.
A nossa vida gira à volta de um pequeno ser indefeso mas já com alguma manha.
Tudo o resto é meramente secundário.
Ai, sofro que o tempo passou a correr, nem soube a nada! Ainda és tão pequenina...
Agora vou entrar de férias. Com sorte ganho o euromilhões ou o mark6 e já não preciso de voltar à labuta.
Se entretanto não voltar à xafarica aqui ficam os meus votos: Feliz Natal e boas entradas em 2011!!! Tudo de bom, amor, saúde e dinheiro!
Até breve.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Triste
A morte de uma criança é um acontecimento tristemente desvastador. Nunca se esquece, supera ou recupera. Estamos tristes.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
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